terça-feira, 16 de novembro de 2010

Belchior, a praia, a caipiroska e o bode em Recife - nosso último dia




Nosso último dia em Recife. Acordamos cedo e fomos pegar uma prainha na Boa Viagem. Dia lindo, céu azul. O mar parecia uma lagoa. Nós dois abrimos a praia e, aos poucos, o pessoal foi chegando: o casal C e C., logo depois Zé Pesqueira. RT e Zé Cinturinha chegaram por último. Os trabalhos foram abertos por C. e Belchior, a dupla hermana. Dá-lhe caipiroska às 10 da matina. Fizeram amizade com o cara da barraquinha e o lema era mais uma dose. Caipiroska de morango, limão, kiwi, maracujá com morango e várias combinações.

O dia estava quente e os meninos iam se empanturrando de vodka em plena praia. Para completar o menu, Belchior apresentou à tropa uma iguaria do Nordeste: os caldinhos vendidos na praia. Não, caros amigos, não são aqueles caldos suculentos que você encomenda e é servido numa cumbuquinha, com pães e colher. Nada disso. Eles são vendidos como café, naquelas garrafas térmicas. Sai um caldinho quentinho no copo de plástico. Caldinho de tudo: sururu, camarão, peixe, caldeirada, feijão, mocotó. Tudo servido com ovo de codorna e torresmo, claro.

Belchior é alérgico a camarão, coitado. E o pior é que ele adora. Mas, se contenta em pedir as outras opções. No início, a galera ficou tímida e meio receosa. Só eu e Belchior sorvemos o delicioso aperitivo. Mas, como meu marido vence as pessoas pelo cansaço... “Prova aí, gente. Nóssenhora, é uma delícia. Prova, Zé Pesqueira. Delícia. Dá um levante. Experimenta”, dizia salivando entre uma golada e outra o seu caldo de peixe. Eu não posso falar muita coisa não, pois sou suspeita. Adoro caldinhos e sempre peço. Vencidos pelo cansaço, aos poucos a galera foi provando com aquela cara de nojinho, mas, após a primeira golada, todos gostaram e estavam se deliciando.

No meio da tarde, eu já queimada como um camarão, com a perna dolorida e muito vermelha (sim, o ferrão do marimbondo resistia bravamente), resolvi ir para o hotel tomar banho e partir rumo aos artesanatos recifenhos. Eu e C., esposa do também C, deixaríamos os meninos para lá e iríamos às compras!

Confesso que fiquei meio p da vida com Belchior (para variar) porque ele tinha combinado de ir lá no Centro Cultural ver os artesanatos comigo. Ele adora essas coisas e disse que iria com ou sem os meninos. Mas, na hora do vamos ver, quem fala mais alto é a bebida e as ótimas cias que ele estava. Larguei ele para lá e segui meu rumo.

Eu e C curtimos adoidado o passeio neste centro cultural! Além de comprar coisinhas, o local era um antigo presídio e as lojinhas eram nas celas de verdade, com vários paramentos e ornamentos para fotos. Tudo foi mantido como numa prisão. Andamos e compramos feito loucas e, duas horas depois, quando ligamos para os meninos, ainda estavam na praia!

Demos meia dúzia de esporros e combinamos o encontro com eles em Olinda. Nosso roteiro seria um passeio por lá e jantar o tal e desejado bode. Estranho, né. Mas lá é tradicional e os Zés queriam experimentá-lo. Topei na hora, claro.

Depois de um mega engarrafamento, chegamos a Olinda. Eu e C., C. e eu. Encontramos uma parte dos boys em um outro táxi e a nossa alegria por estar em Olinda durou muito pouco. Primeiro porque o comércio, os ateliês e todo charme estavam fechados às seis da tarde, em pleno feriado! Vai entender. Segundo porque aquilo é uma loucura, nunca vi tanta pirambeira, escada e ladeira. Nunca subi tanto morro!! Fiquei imaginando o carnaval. Nossa, subir e descer aquelas ladeiras deve ser inexplicável. Mas como no carnaval algo mágico acontece com a gente....

Quando encontramos a outra parte dos meninos (meu marido estava nesse bonde), eles estavam assim: sem banho, alguns com mau humor e outros (Belchior sempre está nessa parte), completamente loucossssssss. Para completar, estávamos todos sem almoçar, morrendo de fome e não sabíamos onde comer o tal bode!

Ficamos em Olinda cerca de 10 minutos, tempo suficiente apenas para Belchior comprar sua sombrinha de frevo e sair dançando loucamente pelas ruas e pela Igreja da Sé, com todos olhando, claro. O resto da tropa já estava no táxi e apenas esperava que Belchior encerrasse seu show e entrasse no táxi.

Enfim, achamos o restaurante indicado, o ‘Nó do Bode’. Comemos uma bela picanha de bode, regada à lingüiça de bode, pão de alho e muita macaxeira! RS Por fim, Belchior e RT apostaram uma corrida nos bonecos bodes do local e o efeito bode havia atacado o irmão C, que fechou a noite com uma tremenda dor de barriga! Para nós quatro, a viagem estava sendo encerrada ali. Pegaríamos o avião na manhã no dia 12 super cedo!

Mas, para os três mosqueteiros solteiros, a night daquele dia ainda estava por vir, mas eu já tinham algumas informações importantes: graças a Deus, RT tinha pego uma mulher no Pub da noite anterior e ele estava todo contentinho; Zé Pesqueira também havia se dado bem (parece que pegou uma mulher mais alta do que ele) e Zé Cinturinha estava a espera de outra peguete para essa noite, pois a do casamento, com sua carita de 40 e poucos anos, não colou.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Belchior, a tropa e o terceiro dia em Recife


Bem, acordamos ou melhor, despertamos depois de 4 horas de sono leve e já arrumamos as coisas para regressarmos a Recife. Eu com minha ferroada na coxa, cada vez mais inchada e dolorida. Belchior ainda no ‘grau’. Pegamos o ônibus de volta, com Marquinho Garanhuns no comando e o pessoal meio baqueado, na ressaca. Aquela agitação da ida se transformou em calmaria e sonolência na volta.

Timidamente, Belchior e RT se revezaram na cia ao motorista, mas sem muito assunto e empolgação. Paramos no Rei das Coxinhas novamente e fizemos um lanche regado a coxinhas e kibe de cordeiro. A animação voltava aos poucos para os meninos tricolores, que estavam com a camisa do time (parecia até que a equipe ia jogar no nordeste) e começaram a olhar tensos para o relógio. O jogo era às 16h. Eram 14 e pouco.

Chegamos a Recife faltando 20 minutos para começar a partida. Ainda tínhamos que deixar as malas e procurar um lugar que transmitisse o jogo. Meninos tensos e eu e C., as únicas mulheres, entramos na tensão deles. Mal se despediram de Marquinho Garanhuns, nosso escudeiro e guia de Pesqueira, amigo de fé, irmão camarada, que nos deixou na porta do hotel...

Depois de muito procurar, achamos um restaurante-bar e qualquer coisa assim, agradável e com cerveja e jogo do Fluminense para eles. Eu e C. passamos horas a fio conversando, colocando o papo em dia, e os meninos se descabelando pela derrota do Flu.

Não sei como, nem em que horas, mas descolamos uma carona do motorista da van do restaurante para nos levar até Recife antigo para fazermos um city tour e conhecermos um pouquinho da cidade. Belchior e eu passeamos pela feirinha, enquanto os meninos acharam o local meio caído. Sentaram num bar e ficaram esperando por nós. A ideia deles era ir para uma night. Zé Pesqueira, descolado que só ele, já havia selecionado e procurado as indicações de melhores lugares para sair lá. Apesar do cansaço, os dois casais, Belchior e eu, C. e C., também toparam sair e curtir a noite recifense.

Fomos para uma espécie de pub, com música ao vivo. Todos empolgados, mas extremamente incomodados com o calor e o tumulto que estava o lugar. A música era ótima, uma espécie de banda de pop rock regada a frevo. Se não fosse o empurra- empurra e o tumulto, com certeza tinha me divertido. Mas eu estava mal humorada e tudo me incomodou. Não consegui relexar, nem curti direito.

O que mais me incomodou, acredito, é que Belchior estava bem, feliz, se divertindo como sempre faz em qualquer lugar. Ai, que raivaaaaaaa!! Eu queria estar num lugar mais tranqüilo, mais agradável. Mas ele ama a noite, a agitação, o calor humano. Ok, ok, eu estava de TPM, com minha coxa doendo, com a porcaria do ferrão dentro de mim, com calor e sem dormir. Fomos embora depois de quase 3 horas lá no lugar e, enfim, pude dormir e relaxar! Praia no dia seguinte!! Aiaiai, tudo de bom.

Bem, Zé Pesqueira, Zé mulherengo e Zé Cinturinha estavam gostando bastante! O casal C. também dançava e curtia a noite. Zé mulherengo impressionado pela quantidade de gente bonita no lugar (realmente uma raridade, pois só vimos pessoas estranhas até então). Zé Cinturinha agarrado na cintura da peguete do casamento. A decepção estava nítida nos seus olhos, até porque todos ficaram meio ‘chocados’ com a rapariga da festa. No dia seguinte, ela não teve como manter a maquiagem e o modelito da festa. Então, sua idade apareceu aos olhos de todos, com rugas e marcas de expressão que não negam seus 40 e poucos anos...rs

RT ia e vinha num bailado frenético pelo pub. Só de pensar que hoje ele tinha nas mãos a oportunidade de desencantar e colher os frutos do seu instinto pegador! RS
Bem, eu e Belchior não ficamos para ver o final da night dos meninos. Saberíamos dos detalhes na praia, na manhã seguinte...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Belchior e a festa de casamento em Pesqueira




Ah, a festa! Seguimos da Igreja para o local da festa, a antiga fábrica da marca Peixe, original de Pesqueira!! Pegamos o busão com o nosso amigo Marquinho Garanhuns, junto com outros amigos e familiares dos noivos, que lotaram nosso transporte!

Belchior já havia começado os trabalhos durante a cerimônia, num boteco próximo à Igreja. Portanto, quando entrou no ônibus, já começou uma discussão inusitada sobre o papel dos índios na sociedade. Tudo porque o avô do noivo disse que uma das propriedades da família da noiva havia sido invadida e doada pela FUNAI aos nossos queridos indígenas.

“Tenho horror a esses índios. Não fazem nada, não querem trabalhar, só querem pegar a terra dos outros e ficarem vendendo muamba. Dinheiro fácil a gente tb quer, uai”. Ainda bem que chegamos rápido ao salão de festas! A discussão duraria horas!

A festa foi um glamour só. Um luxo! Com direito a banda tocando 5 horas seguidas, lagosta, camarão, uísque e tudo mais à disposição dos convidados. Belchior começou na cervejinha e esta já foi suficiente para ele dar seu showzinho. Como a banda era super eclética, os ritmos mudavam freneticamente a cada música. De ‘Chora, me liga’; ‘Michael Jackson’, ‘New York, New York’; ‘Calypso’ a ‘Black Eyed Peas’! Tudo junto e misturado.

Belchior já estava num estilo incrível. Como o terno dele não cabe mais e ainda não comprou outro, lançou o estilo calça jeans, blusa social e blaser, destoando de todos os convidados. Mas como isso para ele é até bom, com 30 minutos de festa já tirou o paletó. Com seu gingado a la ‘Coisinha de Jesus’, imitou a Joelma, jogando sua careca para um lado e para o outro. Pulou como um jagunço selvagem, imitando uma boiada, dançou até o chão, bailou de todo os jeitos e modos que se espera de uma figura como ele.

Mas o seu objetivo era chegar até o palco. Belchior ficou fascinado com a banda e todos os seus componentes. Aos poucos, em meio ao nosso grupo de amigos dançando no meio da pista, ele se chegava sozinho, como quem não quer nada, assim, para perto do palco. Fazia cara de cachorro triste, querendo o frango assado da padaria. Mas os caras não davam bola não.

Bem, enquanto o palco não o recebia, Belchior e os nossos amigos (me incluo também, claro) deram um show de diversão! Até lambada rolou com atuação mais do que digna do nosso amigo G., mais conhecido como Zé Pesqueira!!

Para não dizer que não falei das flores, como será que nosso amigo mulherengo R.T. estava? Louco para pegar alguém. Já estávamos no segundo dia oficial da viagem e nada! R.T. passou a noite sassaricando. Sumia de vez em quando, voltava com um uisquinho na mão. Mas sem uma muchacha ao lado.

Depois das 3 da matina, seria a vez do DJ não sei quem ferver a pista. O recado da noiva era de que a gente só poderia ir embora de manhã! Então, na troca da banda pelo DJ, Belchior, como um gato ávido e ágil, subiu no palco, pegou o microfone e pronto!

O circo estava armado! Ele queria cantar o hino da terrinha para marcar presença em Pesqueira. Mas, acabou fazendo playbacks do Luan Santana e de outros sertanejos de plantão. No fim, quase todos estavam no palco, cantando e dançando, inclusive os noivos! Festa pernambucana e da terrinha, claro!

O dia estava amanhecendo e resolvemos partir. Belchior estava realizado. Cantou no casamento e havia consumido muitos litros de cevada e até umas doses de uísque. Balança bem mais para lá do que para cá. Estava trocando as pernas literalmente. Cumprimos o combinado com a noiva, que também já estava para lá de bragatá e passou super mal, de ficarmos até os primeiros raios de sol.

Resolvemos pegar um táxi, que estava paradinho na porta da festa. Táxi de cidade do interior, sem lenço e sem documento. Após esperarmos a noiva literalmente mergulhar no banco traseiro do carro que os levaria de volta ao hotel, resolvi acelerar a nossa volta.

G., o Zé Pesqueira, entrou no banco de trás. Dormindo sentado. Belchior insistia para eu ir na frente com o motorista. Como não quis contrariar os bêbados e oprimidos, lá fui eu. Quando sentei e puxei o cinto de segurança, dei um grito tão alto que Zé Pesqueira chegou a abrir os olhos, mas voltou a dormir. Belchior estava do lado de fora e me ignorou.

Senti uma dor lacerante, como se algo tivesse rasgado minha pele. Olhei para o lado e não vi nada. Só minha perna ardia muito, muito mesmo. Quando olhei novamente procurando o que havia me machucado, eis que o vejo, grande e saliente, marrom, me passando a sensação de dever cumprido. Um puta marimbondo havia me ferroado sem dó nem piedade. Saí de fininho, pulando-o no banco e corri para os braços do meu marido. Precisava de ajuda. Alguém pode tirar o ferrão da minha perna, por favor? O marimbondo me ferroou. Aiaiaiai, tá doendo, tá doendo. Palavras em vão. Belchior ainda disse: não se preocupe, foi um escorpião! E ria zoinho, trêbado da minha cara. Ninguém me ajudou, pois todos estavam bêbados, claro. Voltei para o hotel com minha ferroada e fui dormir. Fazer o que, né!

No dia seguinte e nos sete subsequentes, em que tomei antibiótico e tudo, fiquei com um inchaço grande, dolorido e vermelho. Voltei de Pesqueira com uma ferroadinha básica.

Para fechar esse post, uma curiosidade: R.T. não pegou ninguém na festa. Até Zé Cintura, nosso amigo R., tinha se dado bem. R.T. estava inconformado!! Mas, ainda tínhamos dois dias! Em breve, a última história da viagem!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Belchior em Pesqueira - o segundo dia


Bem, preciso começar a história do nosso segundo dia em Recife respondendo algumas dúvidas sobre o dia anterior! Caros apreciadores deste blog, a questão é que não, não sabemos se nosso amigo RT encontrou com sua rapariga na pracinha da Boa Viagem. Ele saiu do bar cedo. Mas eu já havia alertado de que seria impossível descobrirmos se ele tomou o bolo ou não. Ele nos disse que chegou ao hotel, tomou banho e acabou cochilando, perdendo assim a hora do encontro... Quando iremos descobrir a verdade? Jamais! O fato é que, para quem só pensa em mulheres, o primeiro dia já havia passado e ele ainda não tinha pego ninguém!

Ok, voltando à história de nós dois, três, todo mundo junto, no segundo dia, acordamos na correria, arrumamos as malas novamente e partimos para o encontro com a galera para pegar nosso busão e ir rumo a Pesqueira, nosso principal objetivo da viagem!

RT foi conosco e, aos poucos, a galera foi chegando. C, irmão mais velho de Belchior e sua esposa C., G., R., Casadona e Belchior! Entramos no busão e seguimos viagem. Teríamos mais ou menos 3 horas e pouca para dividirmos as expectativas, contar os causos do dia anterior e, enfim, chegar ao agreste de Pernambuco! Oba!

Não deu três minutos de pé na estrada e Belchior e RT (vão gostar de falar assim lá longe!!) já estavam lá na frente puxando prosa com o motorista. Marquinho Garanhuns, como ficou conhecido, logo rendeu-se às fanfarrices dos garotos da terrinha. Garanhuns porque ele é de lá, da terra do nosso Presidente Lulinha da Silva.

Marquinho Garanhuns virou atração da nossa viagem. Belchior, curioso como ele só, queria saber de todos os detalhes históricos e geográficos de cada cidade que íamos passando. Levantava de 30 em 30 minutos e ia fazer companhia ao motorista. RT também se revezava para arrancar de Marquinho Garanhuns notícias importantíssimas sobre as muchachas da região. “Nessa cidade aqui tem mulher? Mulher bonita? Ah tá. Eu vou voltar aqui, cara, só para conhecer a mulherada”. C., mano de Belchior, estava interessado em saber se seu Marquinho dirigia bem. Passava mal a cada curva mal feita, a cada acelerada do motô. Belchior sempre me disse que C. era o mais engraçado de todos e pude comprovar que essa era a mais pura verdade. Belchior ficava até inibido. R. não ia muito lá não. G. só ia para fumar um gudanzinho e voltar a dormir. R. e G. estavam praticamente virados da viagem anterior.

Aos poucos a galera foi se soltando e C., super gaiato, começou a nos presentear com uma série de sacaneadas nos amigos. Para ele, todos os amigos acabam virando Zé na viagem. G. é o Zé Pesqueira. Simplesmente porque G. não disse aos amigos que estava indo para um casamento em Pesqueira. “Ah, sei lá. Ninguém sabe onde fica isso. Achei melhor dizer que o casamento seria em Recife”. Pronto. Senha e chave para a zuação. Zé Pesqueira agora levou o apelido. Foi um tal de Zé Cinturinha, Zé Garanhuns, Zé Festinha, Zé Encrenqueiro, Zé disso, Zé daquilo.

Paramos na cidade Gravatá, a Teresópolis pernambucana, no Rei das Coxinhas. Os meninos se empanturraram de todos os salgadinhos e coxinhas vendidas no local. Os apelidos do momento lanchinho passaram a ser: Zé Coxinha, Zé Risoli, Zé Kibe, Zé qualquer coisa.

Enfim, depois de 4 horas, várias risadas, curvas mal feitas e ansiedade, chegamos a tal querida cidade de Pesqueira, berço da noiva mais fofa e nordestina dos nossos amigos! Mal entramos na cidade e as comparações já vieram. Isso aqui está igual à Terrinha. Que nada é igual a Areias, a Laje de Muriaé e etc.

Quando chegamos ao hotel, a tropa ficou boquiaberta. O hotel era simplesmente maravilhoso, de altíssimo nível, com uma piscina linda, convidativa. Em meio ao agreste, estávamos num oásis e precisávamos aproveitar antes do casamento. Os meninos já loucos para bebericarem o mel da cevada. Eu e C. doidas para deixarmos as malas e dar um mergulho merecido.

Dito e feito. Em menos de 15 minutos estávamos todos reunidos na piscina, sendo servidos pelo garçom, com cervejas, caipiroskas e tudo mais. Eu fiquei pouco tempo. Queria descansar antes do casório, que iria até às 6 da matina. Belchior ficou na cia dos amigos, esperando os convidados que, aos poucos, iam chegando e se juntando a eles. Todos os convidados do noivo estavam hospedados lá e a festa já começava cedo.

O casamento estava marcado para às 20:30. Belchior me apareceu no quarto às 20:15, de sunga, cantando “boemia, aqui me tens de regresso”. Eu, semi pronta, esperando a vaga do cabelereiro no quarto ao lado, com metade do cabelo pronto, sem maquiagem. Mesmo já altinho, meu marido passou meu vestido e seu paletó. Cantando Boemia, claro. Conclusão: perdemos o ônibus, chegamos atrasados, junto com a noiva na Igreja. Cenas do próximo post: Belchior e a festa. Segura, peão!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Belchior em Recife - primeiro dia




Demorei um pouco para escrever, mas não desistam!! Estou com várias histórias na manga que são bastante divertidas! Acontece que outubro está sendo um mês super corrido, com vários eventos e pouco tempo para escrever. Porém, a partir de hoje, vou me comprometer a postar todas essas peripécias de Belchior e seus amigos que rolaram por aí.

Bem, Belchior iria para Paris em outubro. Mas descobrimos, no fim de setembro, que essa viagem só sairá no ano que vem. Ótimo para nos programarmos melhor. Tivemos que correr e muito para irmos ao casamento em Recife, marcado há mais de um ano e que não confirmamos presença por conta de Paris.

Depois de muita correria e estresse (por que os homens nos deixam loucas, deixam tudo para última hora e nos enlouquecem???), conseguimos comprar as passagens de ida para Recife (fomos para Belo Horizonte e de lá para a capital pernambucana) e, no dia 8 de outubro, de madrugada, chegamos! Como nossas reservas eram para dia 10, pois iríamos para Pesqueira (agreste nordestino, a 4 horas de Recife e local do casamento), encontramos o RT, amigo de Belchior no aeroporto e fomos nós 3 dormir num motel!

Um parêntese sobre o amigo RT. RT é um cara muito divertido, animado, mas ele tem uma particularidade toda especial. É viciado em mulher. É sério. Que todos os homens o são, nós sabemos, ok. Mas ele tem algo diferente. Só pensa nisso, durante 24 horas por dia, 365 dias por ano!! Em todo lugar que ele vai, essa é palavra de ordem, o domínio do dia! Além disso, ele é lento, lerdo, demorado. Pior do que eu, mulher. rs Dormimos no motel (ele em quarto separado, claro) e acordamos cedo para começarmos a saga de procurar um hotel até o dia seguinte. Eu e Belchior chamamos um táxi e ficamos com o taxista, dentro do motel (que situação), esperando RT por, pelo menos, 15 minutos. Inacreditável!

Rodamos uns 40 minutos para achar um hotelzinho para deixarmos as malas e irmos fazer algo. Belchior precisava trabalhar. Eu precisava de praia. E RT precisava de mulheres. Objetivos e interesses a parte, após 4 horas de espera na recepção de um hotel mequetrefe, largamos as malas e unimos os objetivos num só: Belchior com laptop e cel em punho, eu com biquíni e disposição, RT com seus planos e olhares para as beldades, seguimos rumo à Praia da Boa Viagem!

Escolhemos um lugar legalzinho e sentamos. Água quente, com possibilidades sérias de encontrarmos algum tubarão por lá (adorei essa parte), cerveja para os meninos, água de coco para mim. Belchior trabalhando, eu curtindo o sol e o mar e RT a postos para sua atuação fatal. Não precisou de muito tempo para as coisas acontecerem rapidamente. Na primeira vez que RT foi na água, já ficou de conversa com uma menina. Eu e Belchior morremos de rir na areia.

A cada ida dele ao mar, mas conversas com a rapariga. E não deu outra! Marcaram um encontro na Pracinha da Boa Viagem, às 20h daquela noite. Ela foi embora e não deixou o tel dela com ele. Mas RT estava feliz, já havia, sem procurar muito, conquistado sua primeira vítima. Parecia que o feriado prometia grandes affairs! Enquanto isso, entre um telefonema e outro, Belchior ia na água e assustava a criançada: “Olha o tubarão! E saía correndo! As criancinhas, assustadas, se desesperavam. Depois começavam a rir do tio doidão!

No fim da tarde, a maré subiu e nos deparamos com um approach com o pessoal da barraca ao lado. Para Belchior, já relaxado e com umas 10 latinhas na mente, isso era ótimo. O show man começou a colocar seus dotes e encantos para Recife conhecer. Resumindo, havia um capoeirista, uma morena e um gringo na barraca. O capoeirista começou a brincar com Belchior e, em pouco tempo, os dois estavam jogando capoeira na areia da praia. Belchior parecia uma jaca madura caindo do pé. Sem ginga, sem traquejo. O cara dava um banho nele. Até que ele resolveu inovar e deu um golpe de judô no cara. A jaca branca e a negra caíram juntas na beira da água. O lugar inteiro rindo de passar mal. O gringo se despediu e foi-se.

Depois da brincadeira, o papo ficou sério. RT e Belchior começaram a perguntação (isso mesmo com ão no final). Sem pudores. RT começou com a morena. E ela, sem responder direito. “Você está com uma marca de óculos no rosto”. “É bom que disfarça porque eu trabalho à noite”. “É mesmo, aonde”? 15 segundos para a resposta da moça. “Num samba”. “E onde rola esse samba”? 30 segundos para a outra resposta da moça. “Numa faculdade”. “Onde fica a faculdade”? 1 minuto sem reposta. Tive que intervir. RT, não está vendo que ela não quer responder?! Deixa isso para lá.

Enquanto isso, do outro lado da barraca...Belchior começa. “Mas você dá aulas de capoeira”? “Pois é, rapaz, dou sim. Mas se eu te contar minha história, você vai chorar comigo”. “Por quê? O que houve”? “Sou viciado em drogas. Perdi tudo por causa dela. Agora dou aulas num projeto social. Não ganho nada. Quem me ajuda é a morena. Sempre venho à praia aqui. To há 8 meses sem usar nada. Vou te mostrar uma coisa. Olha meu passaporte. Já fui jogador de futebol em vários países. Olhe ai, olhe, rapaz. Olhe, olhe”. “Nossa, é mesmo. Já jogou na Suíça”?

Pausa para mim, por favor. Belchior se compadecendo, já com os olhos cheios de água com a história de vida do capoeirista. O clima esquentando entre RT e a morena. Só mesmo um mergulho para refrescar minha alma!!

Quando voltei, a cena era linda. O capoeirista chorando, aos prantos, dizendo que Belchior era como se fosse um pai para ele. Belchior era só elogios ao cara. Realmente a história era triste, mas aquele rapaz era sagaz. Parecia que fazia artes cênicas. Não caía uma lágrima de seus olhos, só mesmo a encenação. O auge foi quando Belchior levantou, tirou R$ 20 da carteira e deu a ele. Chororô de todos os lados. Belchior abraçou o cara, chorou junto. Beijo na careca. O capoeirista tirou de sua sacola plástica um presente.

“Vou te dar essa camisa que tem uma energia maravilhosa. Depois que eu usei, ela mudou minha vida. Quero que você fique com ela”. Belchior não se conteve. Chorando, levantou os bracinhos, encolheu a barriga, vestiu a camisa. Deve ter ficado sem respirar uns 30 segundos e constatou, junto com todos ao redor, que não cabia nele. Mas o cara seguiu. “já que não cabe, quero você doe para uma instituição de caridade. A criança que usar essa camisa terá sua sorte mudada”. Abraços. Belchior pegou a camisa suada e colocou na bolsa. A doação era sua próxima missão. Parecia cena de novela.

Enquanto isso, RT e a morena estavam no clima. Mas ele estava acanhado com a minha presença. Veio me confessar: “pô, a mulher é da vida (nossa, ele só tinha percebido aquela hora!!). Nada a ver dar beijo na boca”!

Depois da expectativa do beija não beijo, que Belchior e o capoeirista entraram rapidamente na pilha para que RT beijasse logo, resolvemos ir embora e encontrar os outros amigos da terrinha que haviam chegado. Chegamos ao restaurante, Belchior para lá de bragatá. RT esperando ansiosamente o encontro marcado na pracinha e eu feliz de ver gente conhecida e poder conversar normalmente. Na praia, cheguei a conversar em inglês e italiano com o vozão, um vendedor que se aproximou e começou a conversar conosco. O cara não sabia nem ler nem escrever, mas falava cinco idiomas. Só da convivência da praia! E o pior é que falava direitinho mesmo!

Uma hora depois dos amigos C. e V. morrerem de rir das histórias, RT saiu de fininho. Ia para seu encontro. MJ e S. chegaram para completar a mesa e eu e Belchior terminamos à noite rindo e planejando o casamento em Pesqueira com nossos amigos! Se no primeiro dia foi assim, imaginem os próximos 4!! Aguardem!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Belchior tentando ser Homem Aranha



Há algum tempo estou querendo escrever sobre isso aqui no blog, mas estava receosa de brigar comigo mesma sobre o assunto! Infelizmente o bairro onde moramos está sendo assolado por episódios de roubos e violência. Há uns 2 meses, um louco cheirado estava assaltando os apartamentos, entrando pela janela, buraco do ar condicionado, fazendo coisas impossíveis e seu apelido, claro, virou o Homem Aranha do bairro.

Um dos apartamentos arrombados foi no prédio da minha amiga F. Uma paranoia enorme se instalou em mim. Mas eu não sou tão louca assim e as minhas questões têm fundamento! Moramos de frente para uma mata, no primeiro andar do prédio, sem grade alguma, em nenhuma janela, nem na varanda. detalhe que todos do porédio tem grade! Dormimos com tudo aberto, escancarado e ali é um deserto só.

Comecei a ouvir passos no play, a fechar tudo todos os dias, a levar os objetos mais caros para o quarto junto com a gente. Nada mais de deixar dinheiro dando sopa na sala, nem telefones, tênis, nada. O Homem Aranha continuou atacando mais e mais prédios nas redondezas, até que ele foi preso em frente ao nosso residencial!! Estava atacando o prédio da frente!!

Como alegria de pobre dura pouco, o cara foi solto no dia seguinte. Era menor de idade! Ô beleza! O problema disso tudo era porque Belchior, simplesmente, não creditava em mim e não se sentia inseguro como eu! Achava que eu estava louca, que era exagero.



Brigamos muito por isso, mas graças a Deus passou. Até que esta semana algumas coisas muito estranhas voltaram a acontecer. Uma bela noite, estávamos eu e minha amiga M. na varanda, quando ouvimos nitidamente um barulho de mato mexendo. Mas mexia muito, eram passos de uma pessoa e não de bicho. Ficamos brancas, imóveis. O barulho vinha do terreno ao lado. Na hora gritei Belchior e, mesmo não ouvindo desde o início, Belchior se assustou.

Nesta semana, cheguei em casa de um evento noturno. Morta de cansaço, fiquei um pouco na varanda. Belchior não estava em casa. Sentei para relaxar e, de repente, o mato se mexeu absurdamente. Ouvi barulho de chinelo. Não tinha dúvidas de que era uma pessoa no play!! Fiquei uns 15 segundos parada, encarando o mato, mas não me contive e saí correndo. Interfonei para o porteiro. Ele foi ver o que era, mas como sempre, não viu nada!

Liguei para Belchior voltar para casa. E o esperei na portaria. Ao contrário do que imaginei, Belchior ficou preocupado e disse que já tinha verificado no play que era fácil entrar no nosso ape. Mêda!!

Mas isso tudo para ilustrar o episódio de ontem à noite! Em mais um dia de evento, cheguei tarde, mas Belchior chegou praticamente comigo. Quando fomos dormir, minha paranoia falou mais alto e pedi para ele fechar a janela da área. Ele levantou contrariado. Já tínhamos ouvido alguns barulhos.

Fiquei sozinha no quarto e achei a demora dele estranha. Conhecendo a figura, fiquei quietinha e ouvi seus passos até a varanda. Quando ele começou a querer simular um ataque, comecei a gritar e quebrei completamente o clima do suposto susto!! Belchior, querido, já conheço seus passos, vejo os seus medos! Se manda para a cama, pois o susto não cola mais!

Belchior voltou desolado. Parecia uma criança grande, cabisbaixo, todo sem graça, dizendo que ele não ia me dar susto... Sei sei, até parece. Já que ele não deu bola para minhas inquietudes do Homem Aranha de verdade, também não dei bola para o Belchior tentando ser Aranha!! depois me arrependi, pois o que será que ele iria aprontar???

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Belchior e o casamento 2

Foto verídica by A.K.

Tínhamos um casamento em que éramos padrinhos. Grandes amigos dele, que se tornaram meus também de tabela. Eu já sabia que Belchior não passaria impunemente ao casório. Até porque o casal nasceu debaixo de suas asas, todos eram seus amigos de faculdade e ele tinha total liberdade. Sentir-se-ia em casa (escrevi lindo agora, hein). E aí mora o perigo.

Até que na Igreja ele se comportou. Não chegou atrasado e deixou a noiva esperando (como fez da última vez em que fomos padrinhos e a noiva, sua amiga, estava apavorada com essa possibilidade). Mas, já na Igreja ele dava indícios de que a cobra ia fumar. Puxou os aplausos finais, mandou a irmã do noivo rir alto (uma característica clássica dela). Falou alto, bateu palma, cantou, se emocionou. Isso tudo na frente do padre! Porém, a festa é a festa, né, gente...

Belchior chegou na boa e ficou só no proseco. Prosequinho, como ele gosta de chamar. Taça vai, taça vem. Mas, Belchior, que não é bobo não, já havia bebido umas três ou quatro ou cinco latinhas antes de entrar na Igreja. Afinal, chegamos no fim do outro casamento... Tempo perdido é tempo de beber...Eu tinha que compreendê-lo!

No meio da festa, ele começou a dançar freneticamente. Tivemos uma surpresa ótima. Uma bateria de escola de samba deu o ar da graça e do requebrado. Fomos para frente do palco, sambamos, descemos até o chão, mas eu já sentia o cheiro de show no ar.

O puxador estava em cima do palco e demorou apenas alguns minutos para Belchior se juntar a ele! Ficou cantando no cangote do cara, pedindo para cantar. E o puxador levando o samba, sendo atormentado por ele. Claro que ninguém resiste aos seus encantos e insistência e logo ele estava cantando junto com o cara, levando o samba no gogó. Outros companheiros subiram também e tudo virou uma festa ainda maior.

Após o espetáculo carnavalesco, que muito me diverti e sambei, já completamente despida de pudores e descalça (a única da festa, detalhe), começou a rolar um clima de sertanejo universitário no ar. Ai meus sais! Era a chave, era a senha, era a chamada final!!!

Belchior, mais uma vez, subiu aos céus de sua glória, pegou o microfone, mandou o cara do som ligá-lo e deu seu show! Cantou três músicas seguidas num estilo playback, jogou flores para mim. Tinha um legado de fãs pulando e cantando, seus bons e velhos amigos da terrinha e da faculdade, que estão mais do que acostumados com sua performance. Todos cantavam e aplaudiam Belchior.

Para fechar com chave de ouro e soltar o grito engasgado da festa à fantasia, em que não pôde cantar o hino do carnaval da terrinha, Belchior puxou o clássico dos clássicos, levando seus fãs (até mesmo a mais inesperada, que dançava feito uma galinha literalmente):

“O bicho vai pegar e eu não to nem ai. Na CPI do Amor, meu passarinho vai subir”

Até os noivos subiram ao palco, fechando com muita honradez o grande show de Belchior. Salve simpatia, cara de pau e alegria!