terça-feira, 29 de junho de 2010

Belchior e sua festa junina


Vamos colocar essa carrocinha de pipoca para andar e escrever mais sobre Belchior. Como meu amigo disse, "terapia de pobre é blog", e eu adorei essa definição. Com isso, preciso continuar minha terapia por aqui.

Então foi niver do Belchior. Dia de São João. Ele não podia ter nascido num dia tão tudo a ver com ele! Impressionante! Sua personalidade, festividade e alegria constante. Algumas pessoas, que não o conhecem pessoalmente, devem ler este blog e ficar apavoradas, achando que esse cara é alcoólatra, totalmente sem noção. Já ouvi algumas pessoas comentarem os comentários de outros que deram uma passada por aqui: “Olha, pelo que li, essa menina tem que ter cuidado. O marido dela é alcoólatra”. Que nada. Não fazem idéia da pessoa linda, sensível e humana que ele é. Não há uma pessoa que não fique literalmente apaixonada por ele, por seu carinho, caráter, carisma (tudo com c, sou muito criativa).

Elogios à parte, isso tudo para dizer que Belchior é muito especial e todo o meu ‘sacrifício’ em tentar fazer algo para ele valeu. Mas me cansou. Rsrs Desde que eu o conheço, ele queria fazer uma festa junina no seu aniversário. Tudo a ver, claro. Dia de São João. Somos um casal festeiro. Mas o tempo vai passando e para se organizar uma festa com tudo que tem direito vai ficando complicado. Ok, então, vamos fazer uma brincadeira aqui em casa, um bolinho, qualquer coisa assim. Mas os dias foram passando e Belchior, do nada, não quis nada (que poético). E não me deixou fazer nada, comprar nada, organizar nada. Um CXXU doce enorme, cheio de desânimo. Poxa, quem não ia querer comemorar com ele. “Casadona, ninguém vai me ligar não. Deixa isso para lá”. Claro que ele estava totalmente enganado e sabia disso. Mas nada o fazia mudar de ideia.

Eis que na semana do niver, depois de muitas discussões e de quase todos os amigos e amigas me perguntarem o que faríamos, ele cedeu e resolveu fazer um bolinho para quem ligasse para ele. “Mas só quem ligar, hein. Pare de ficar espalhando” e me acusava em vão. Eu só queria deixar tudo pronto, comprar as coisas, mas ele não deixava. Se normalmente a gente já recebe várias pessoas aqui no fim de semana, claro que no seu niver não seria diferente.

Na véspera do jogo do Brasil, dia oficial do seu niver, conforme as pessoas ligavam, ele ia chamando para o bolinho na sexta. O jogo era às 11h e ele resolveu fazer caldinho de feijão e caldo verde. Amor, eu não sei fazer nada disso. Deixa eu pedir a alguém. “Não. Eu vou fazer depois do jogo”. Aham. Tá.

Sexta-feira, depois de Brasil e Portugal, às 14h, saímos desesperados para comprar as coisas. A minha sorte é que a acompanhante da minha avó estava aqui em casa e salvou a pátria. Cozinhou 4 quilos de batata, colocou o feijão no fogo às 16h e colocou a mão na massa para sair os caldos. Era a primeira vez que ela fazia essas coisas. Eu só sabia olhar o relógio e fazer contagem regressiva, afinal Belchior marcara com todos às 19h. E ele, que faria os caldos, estava tranquilamente plantando sua hortinha (nossa nova aquisição também), na varanda, vendo o outro jogo da tarde. E eu limpando tudo, varrendo a varanda, esfregando o chão sujo de cerveja que derramou, arrumando a mesa, colocando os doces, colando os bonequinhos de festa junina. E preocupada em como ficariam os caldos. Nem o cachorro quente que eu queria fazer para quem não comesse os caldos deu tempo de ser feito. A cozinha parecia a faixa de gaza.

Como tudo no final dá certo, às 19:15 eu estava tomando banho e os caldos tinham acabado de focarem prontos. O pessoal começou a chegar. E Belchior começou a beber. A bagunça foi boa, os amigos adoraram os caldinhos, todos comeram bem e Belchior estava feliz e contente. Agora me digam: precisava de tanta correria e tanta cera? Mas tudo na vida de Belchior é assim e, mesmo preocupada, fiz tudo com o maior carinho, pois, com unanimidade, por favor, ele merece.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Belchior e a adeguinha


É com imenso prazer que comunico a volta do DVD de Pegadinhas do Silvio Santos para o nosso lar! Belchior finalmente comprou de novo o DVD e o nosso convidado coringa, que vai animar todo o começo, meio e fim de festa, fazendo as pessoas, junto com Belchior, passarem mal de rir com as mesmas pegadinhas de 20 anos atrás, está de volta. Enfim, fico mais aliviada. Até eu tinha me apegado ao DVD, apesar da relutância inicial.

Outra novidade é que o aniversário de Belchior está chegando e dei de presente a ele uma adeguinha! Só eu mesma poderia comprar isso, já que para roupas e adereços ele é meio enjoado. Queria fazer uma surpresa e nada melhor do que essa adeguinha para a nova mania do meu marido: bebericar um bom vinho.

A grande questão agora é que, para completar a adega e ter aquele clima na casa, é preciso ter 8 garrafas. Eu já comprei 4, mas elas ficaram pouquíssimo tempo lá. Como manter essa rotatividade? No último fim de semana eles foram todos embora, pois recebemos visitas!! Hoje ela está ligada com apenas um pro-sequinho que comprei para mim, mas, claro, ainda não bebi.

Atenção, amigos! A nossa adega precisa de doações!! Vamos fazer o nosso Belchior feliz! Campanha por uma adega completa! Rsrs

terça-feira, 15 de junho de 2010

Belchior, o casamento e o aeroporto




Penetra não seria o termo mais exato para a nossa ida ao casamento. Fomos convidados pelos padrinhos dos noivos que fizeram questão da nossa presença. Ok, tudo certo. Claro que isso não me daria o direito de chegar e me sentir como parte total da festa. Ficaria mais na mesa, com nossos amigos, afastada da galera. Afinal, ninguém nos conhecia lá, a não ser o nosso casal de amigos gaúchos.

O problema foi que, à tarde, ao me deixar no salão de beleza lá na cidade dos nossos amigos sulistas, Belchior conheceu o noivo jogando playstation em plena tarde do casamento. E o noivo é super animado, doidinho como Belchior. Pronto, foi a deixa para meu marido se comportar como um convidado VIP da festa.

Mal chegamos ao salão e as mesas já estava ocupadas. D., nosso amiga, ficou procurando meios de colocarem uma mesa para a gente, até porque tinham muitos amigos deles em pé. Mas isso não era problema para Belchior, que logo pegou uma garrafa de cerveja, pediu ao garçom um balde com as bebidas e gritou bem alto que o lounge estava ótimo. Ainda pediu um pratinho de salgadinhos e serviu o pessoal.

Eu queria me enfiar embaixo do puff, mas mantive a serenidade e o risinho preso no canto da boca. L. (o nosso amigo) comentou: “Belchior não existe, né. Já está enturmado”. Ainda bem que ele tinha consciência disso e eu não precisava morrer de vergonha alheia.

Aos poucos Belchior foi se soltando ainda mais. Abraçou a noiva e desejou toda a felicidade do mundo. “Você não me conhece, mas to muito feliz por vcs! Parabéns ai”, e abraçava a noiva, que respondeu: “Não conhecia vcs, mas sabia que viriam”. Quando ele viu o noivo chegando, aí que a festa foi grande. Abraçou, pulou, fez brinde. Tirou foto com a Polar, cerveja local, fez amizade com todos os amigos do noivo, que chegavam para mim e diziam: “Bah, seu marido é muito engraçado. Super gente boa”.

Pediu cerveja para o fotógrafo, subiu no queijo, não jantou para continuar bebendo, colocou os apetrechos do casamento, pedia mais coxinha de galinha, me dava um beijo, ia para o fumódromo, dançava funk, abraçava os nossos amigos e agradecia pelo ótimo feriado, foi tirar foto de penetra com todos os amigos e os noivos, pulava, colocou a rosa do arranjo na boca, dançou como um malandro carioca e me deixava cansada só de olhar para isso tudo.

Eu, cabisbaixa e bem baqueada pela sinusite, além de estar morrendo de frio, assistia a tudo rindo e imaginando que ainda faltam cinco horas para irmos para o aeroporto.
Quando não me agüentei mais, pedi para tentar descansar um pouco no carro e fazer hora para o aeroporto. Pensei que Belchior ficaria comigo também e cochilaria um pouco. Doce ilusão, claro.

Ele me deixou no carro, me cobriu com os casacos e voltou para a festa. Não tive nem forças para ficar p da vida com ele. E ainda disse: Vê se não bebe demais, pois nós vamos para o aeroporto e ainda temos uma viagem pela frente. Essa foi a senha para ele encher ainda mais a cara. Apareceu no carro às 4:30 da matina trocando as pernas. Ele e o gaúcho, que tinha bebido muito também. Os dois estavam loucos. O táxi chegou junto e a passagem das nossas malas e muambas para o táxi dava uma palha do que seria meu voo. Os dois quase caíram com as coisas, jogaram tudo de qualquer jeito no carro e eu queria matar Belchior.

Ele foi dormindo até o aeroporto. Quando chegamos, saiu trôpego e rebocando as malas sem cuidado nenhum. Jogou a bolsa com os cacarecos, inclusive as canecas de brinde que ele estava tomando cerveja, e saiu andando disparado. Fez o check in, despachou tudo e nem me deu bola. Na hora de passar pelo dectetor de metais fiquei presa. Tive que tirar meu sapato, fazer o quatro, voltar e cadê Belchior? Já tinha sumido e encontrado seu canto para roncar até o voo. Sabe aquele clip da música do Zeca Pagodinho “Aquilo que era mulher”? Era isso. Literalmente.

“Chegou em casa outra vez doidão ...Brigou com a preta sem razão ...Quis comer arroz doce com quiabo ...Botou sal na batida de limão”

Na hora do embarque foi pior. Primeiro porque ele não acordava. Segundo porque quando acordou, dava dois passos e abaixava a cabeça como um bêbado rosnando e roncando em pé. É claro que TODOS OLHAVAM PARA ELE. Mas ele não se conformou com o homem que estava na frente dele na fila de embarque e começou: “O que cê ta olhando? Cara babaca”. Na mesma hora estremeci: “Belchior da Silva Sauro vou te enfiar a porrada na frente de todo mundo se você não calar a boca. Você está bêbado, exalando álcool e está me deixando muito irritada. Fica quieto senão você vai ficar aqui em POA e eu volto para o Rio sozinha.

Mas nada adiantava. Bêbados não te escutam nunca e querem mais é que você não fale nada. Eu queria me esconder, pegar outro avião, sei lá. Mas não tinha como, né. Tive que encarnar a mulher de bêbado com classe, fingir que tudo aquilo era normal e que as pessoas estavam loucas de nos olharem assim. Afinal eram seis da manha. Só pensava numa forma maquiavélica de me vingar daquele papelão. RS

Ainda bem que nossa fileira era a sexta e Belchior caiu como uma jaca madura na poltrona, fazendo com que todos olhassem assustados de novo para nossa cara. E ainda quis implicar com o cara da fila que olhou incrédulo para ele novamente. “Tá olhando o que, babaca”. Na mesma hora, puxei ele novamente e o fiz sentar. Deus me ouviu e ele adormeceu 10 segundos depois. Assim começou e terminou nosso dia em que completamos 1 ano de casados. Ele dormiu e eu fiquei com raiva o dia todo. Ainda bem que a viagem tinha sido maravilhosa para compensar.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Um ano de casados em Gramado


Um ano de casados e resolvemos comemorar numa viagem deliciosa para Gramado e Canela, acompanhada de um encontro com nossos amigos gaúchos. Belchior já tinha ido para lá quando criança e queria muito voltar. Eu nunca tinha ido ao sul do país, pois minhas preferências sempre foram: praia, sol, calor e mar. Assim planejamos nossa comemoração romântica a base de frio, vinhozinho, fondue, Gramado e nossos amigos de lá.

Chegamos em Porto Alegre quase meia noite e nossos amigos foram nos buscar no aeroporto. Belchior seco pela sua cervejinha. Fomos para um barzinho em São Leopoldo e o chopinho durou até às cinco da manhã. A saideira, como vocês já sabem, não acaba nunca para Belchior. O problema era que eu estava congelando de frio, ficamos no sereno e, mesmo com casaco reforçado, a primeira noite na rua já foi bem gelada.

No dia seguinte seguimos rumo à Gramado. Nossos amigos foram juntos. Passariam o dia conosco e depois nós dois ficaríamos lá curtindo. Tudo bem, tudo certo. Belchior se comportou direitinho durante o dia. Fizemos compras, fomos parando na estrada e guardamos o estômago para o rodízio de fondue à noite. Fomos os primeiros a chegar no restaurante! O frio apertou e a primeira pedida, claro, foi a de vinho. Para Belchior e L. Eu fiquei, para variar, na Coca-Cola. Que maravilha foi o rodízio de fondue. Comemos bastante, o tempo passou rápido e, quando vimos, já tinham ido três horas de comida e três garrafas de vinho.

Saímos do restaurante e nossos amigos se despediram. Nós voltamos para o hotel. Estávamos podres de cansados e eu precisava de um ambiente quentinho e uma boa noite de sono para me refazer. Belchior precisava de mais uma garrafa de vinho. Passou no lobby do hotel e mandou entregar o vinho com sua tacinha e água gasosa para acompanhar. Dormi ao som das risadas de Belchior vendo Jô Soares e tomando seu vinhozinho... “Tô em Gramado, amor. Larga eu beber mais um vinhozinho”...

Só me lembro do pequeno C., filho de nossos amigos, ao relembrar a cena clássica de Belchior em Morro de São Paulo, trêbado, andando pela rua com sua garrafa de vinho embaixo do braço. “Belchior, você vai levar a garrafa embaixo do braço de novo”?, perguntava C. ao se despedir de nós...

Acordamos no dia seguinte, faceiros e serelepes, para curtir o nosso dia em Gramado e Canela. Iríamos ao Parque do Caracol, depois visitaríamos os museus pela estrada, almoçaríamos o clássico Café Colonial, visitaríamos Papai Noel na sua Aldeia, sentaríamos na Rua Coberta (famosa em Gramado)...

Assim que abrimos a porta do quarto, nos deparamos com um frio absurdo e uma chuva, mais uma chuva de arrepiar. Sabe aquela chuva que você não vê futuro esperançoso em passar? A chuva chata de inverno... Ok, vamos curtir mesmo assim. Chuva nenhuma iria nos abalar. Metemos o casacão no corpo e saímos em busca dos nossos passeios. Parecíamos duas crianças em busca de diversão. O frio apertava, aquele céu de chuva e neblina dava um toque especial à viagem e não ligamos de passar o dia debaixo de chuva. Belchior ainda fez uma peripécia a mais. Desceu os 780 e tantos degraus da cachoeira do Caracol para ver de perto a queda d’água. Claro que eu não fui e fiquei esperando meu marido voltar da empreitada, morto de cansado, com as pernas bambas e suado como se tivesse acabado de sair da aula de step da academia.

À noite, saímos mais gasalhados do que nunca. Pegamos um cineminha no cinema do Festival de Gramado, tomamos um chocolate quente, comemos pipoca e assistimos Alice no País das Maravilhas. O cinema é um charme, pena que quase congelei no meio do filme. Fui lá fora ver se eles tinham ligado o ar, mas não, meu caro Watson. Aquele era o clima natural do cinema. Não havia calefação lá dentro, só na época do festival.


Depois do cineminha, comemos uma massinha e eu já não estava me sentindo bem... Sinusite atacando, um frio absurdo. Acho que nunca senti tanto frio na vida. Sofri. Belchior pediu um vinho. Mas, quando ele ainda estava na metade da garrafa, não me agüentei e fomos embora. E, mais uma vez, Belchior saiu com sua garrafa embaixo do braço. Ah, se o pequeno C. pudesse nos encontrar e ver de novo a cena que ele tanto gostara em Morro de São Paulo. Enfim, meu marido terminou mais uma noite bebendo seu vinhozinho no quarto do hotel.

O sábado amanheceu ainda mais nublado com um frio de doer. Cada dia ficava mas frio lá. Era nosso último dia. Voltaríamos à tarde, pois nosso voo era de madrugada e nossos amigos haviam nos convidado para uma festa de casamento. Sim, caros companheiros, seríamos penetras no mais alto estilo. Penetras de um casamento gaúcho. Eu sabia me comportar, mas ficava arrepiada de pensar em como Belchior se comportaria. Cenas do próximo post: Belchior, o penetra, e o casamento ...

terça-feira, 25 de maio de 2010

Margaridinha e EU!


Um post rápido. Depois de três meses da existência da Margaridinha, nossa mais nova integrante da família, enfim, andei na moça, no meu banquinho de carona. Para nossa sorte (minha e de Margaridinha), Belchior estava sóbrio, já era noite e tínhamos ido comprar umas coisas perto de casa.

Não sei se ele gostou muito da experiência de me carregar, ainda mais porque Margaridinha não tem marcha e, apesar de baixinha, não sou lá nada magra!! A experiência foi rápida e se resumiu a nossa volta, pois tivemos que encher os pneus da pobre coitada, que estava há tempos sem ver seu dono.

O fato é que adorei andar na Margaridinha e estar no carona, no meu banquinho especial!! Só faltaram as flores na cestinha, como Belchior prometeu, mas, para variar, nos divertimos! Parecíamos dois adolescentes brincando de andar de bicicleta pela primeira vez.
Equilibra dali, pedala forte de lá, sobe a rua, desvia dos ônibus, grita daqui, ri de lá! Ai, meus sais, tenho medo de dar de cara com um ônibus e morrer atropelada! Espero andar nela em breve novamente, mas a pilota serei eu!

domingo, 23 de maio de 2010

Belchior e o DVD de Pegadinhas do Silvio Santos


Vou começar esse post com uma frase sensacional do meu grande guru profissional. “Terapia de pobre é blog”! Com certeza, não tenho dúvidas de que essa frase é a mais verdadeira de todas as frases! Melhor do que ir para terapia é escrever num blog, compartilhar os dramas, os momentos, a vida alheia, o casamento, no meu caso, o casamento com Belchior, suas maluquices (que fique claro que eu as amo e me divirto muito). Completaria a frase genial com “Terapia de pobre é blog e Belchior”, no meu caso.

Para vocês terem ideia de como essa frase tem todo sentido na minha vida, essa semana foi super difícil para mim. Cansativa, desalinhada, minha vó doente, essas coisas. Na sexta, um dos piores dias do meu ânimo, Belchior me chega em casa, após o trabalho, com dois DVDs. A gente ‘coleciona’ DVD de música. Ele adora, principalmente as mais bregas, mas acreditem ou não, até agora não encontrei um DVD sequer do Belchior de verdade. Como o meu Belchior pode ficar sem um clássico desses na estante de DVDs? Não dá para acreditar, mas eu não acho de jeito nenhum. Se alguém vir por aí vendendo, por favor, me avise. Precisamos!!

Pois bem. Belchior tinha almoçado na Feira dos Paraíbas. Geralmente quando ele vai lá, sempre volta com uma coisa irreverente. Pensei logo quando me disse que estava lá. “Humm, sinto que ele vai voltar com algo inusitado, um chapéu de lampião ou algo assim”. Dito e feito. Ao chegar em casa, me deparei com um DVD de Pegadinhas do Silvio Santos em cima da mesa de jantar. Quase morri de tristeza ao imaginar que eu seria obrigada naturalmente a assistir com ele 1:30 de pegadinhas na veia, sabe-se lá quantas vezes, pois ele faria questão de mostrar a todos que fossem lá em casa, e aquela risada do Silvio Santos ecoando...

Fiz uma cara de satisfação meio chocha (Belchior sabe que não ligo para essas coisas), mas ele logo arrumou um fã. Não se passaram nem 5 minutos e eles sentaram juntos para ver, enquanto eu arrumava as coisas para recebermos uns amigos que viriam tomar uma gelada com ele e colocar o papo em dia. Para bobeiras.com é só Belchior começar a falar com meu irmão, B., que a sessão bobeira (ou bobice, como se diz na terrinha) não perde tempo. Os dois simplesmente passaram mal de tanto rir com aquelas pegadinhas furrecas da década de 80 e 90. Meu irmão quase se engasgava com a comida, se estrebuchava, rolava no sofá. Eu passava toda hora por eles e dizia. “Vocês são retardados”!

Mas, para calar minha boca, o negócio é realmente envolvente e, por mais que as pegadinhas sejam de péssima qualidade, não tem como você passar impunemente por elas. Bastaram 3 minutos sentada no sofá para eu começar a rir horrores também e, claro, virar fã da aquisição sensacional do meu marido. Só alguém com muita criatividade ou sei lá o que a menos na cachola para comprar um DVD desses! Mas esse é o meu marido e mais uma vez me surpreendo com a sua esperteza! Ter em casa um DVD com essas pegadinhas é tudo de bom para qualquer ocasião! É diversão garantida.

Os amigos de Belchior chegaram e, como de costume, a farra foi ótima, com muitas guloseimas (dessa vez caprichamos) e muitas histórias, risadas e causos. Assim que F., irmão de Belchior, A.X. (aê, você entrou na história, viu?), S., B. e N. chegaram, Belchior anunciou a sua mais nova compra. Todos ficaram loucos, querendo começar a ver as pegadinhas imediatamente, mas Belchior (um cara de visão) disse logo. “Gente, o problema é que a gente não vai conseguir parar de assistir e não vamos conversar”! Sábia decisão, amor.

Depois de várias cervejas, comidinhas e risadas, o frio apertou na varanda e resolvemos entrar. Aí foi a deixa para a sessão pegadinhas. A.X. e B. passaram mal de tanto rir. Ficamos quase 1h assistindo ao espetáculo. Belchior, todo orgulhoso, era o editor do DVD. Contava as coisas antes, coloacava o DVD nas melhores partes (“Passa que essa é chata)” e foi criticado pelos amigos. “Belchior, isso é censura. Deixa a gente ver tudo”. Assim fechamos a nossa noite.

No dia seguinte, tivemos o aniversário de 30 anos do meu primo J., outro palhaço mor, que ama trocar palhaçadas com Belchior. Meu marido disse, “preciso dar um presente marcante ao J. Afinal, ele faz 30 anos”. Concordei, claro, e por isso comprei um short para ele. Mas Belchior não se conformou. Tinha que ser algo mais personalizado, mais interessante. “Já sei”! Humm, tremi toda. Essas idéias dele me matam. “Vou dar o DVD de Pegadinhas do Silvio Santos para ele”.

Surpreendentemente fui eu que fiquei triste. Poxa, agora que eu havia me apegado às pegadinhas? Mas ele tinha razão. Seria um presente dos deuses para meu primo. Ele ia amar. Portanto, caros apreciadores deste blog, com menos de 24h demos adeus ao DVD de pegadinhas do Silvio Santos. Porém, Belchior me garantiu que vai comprar outro sem falta, afinal, não podemos mais ficar sem isso em casa. Não mais!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Belchior e a cueca tricolor



Depois dessa semana sem tempo e sem atualizações, preciso falar sobre outro assunto que enlouquece Belchior, além da cevada. Ele é louco por cerveja e igualmente louco por futebol, mas precisamente pelo Fluminense. Não sei se uma coisa vem acompanhada da outra, se isso é coisa do pessoal da terrinha (todos eles são loucos pela bola e por seus consecutivos times), se esse fanatismo é normal, mas o fato é que nossa vida é regrada por bar, futebol e cerveja.

Bem, eu sou Flamengo e tenho um marido chamado Belchior. Sempre gostei de futebol, apesar de Belchior achar e teimar comigo que não. E eu acabo brigando com ele. rs Claro que não sou fanática vidrada, não sei a escalação completa do meu time, mas gosto sim de ver os jogos, de torcer, de vibrar, de ficar p da vida. O problema entre mim e Belchior é que ele é tricolor e eu rubro-negra. E a gente briga feio porque ele só entende uma forma de torcer: a dele. Só porque eu não vou a todos jogos, não regro a minha vida pelo Flamengo, como ele faz!!! Afff, aí a gente sempre discute...rsrs Já nem assistimos mais o clássico FlaXFlu juntos porque um sempre sai machucado da história e as ofensas começam. “Cê não entende nada de futebol. Nem sabe a escalação do seu time”. Seu time que é soberbo, cambada de tricolor que se acha. E assim a gente fica discutindo...

O que mais me irrita nisso tudo é a loucura que Belchior tem pelo Fluminense, a ponto de ir a todos os jogos possíveis, de não perder um jogo sequer e da nossa vida ser baseada na tabela de jogos de todos os campeonatos!! O nosso fim de semana é balizado pelo jogo do Fluminense. Se tem jogo no domingo às 16h, não podemos ir à praia porque chegaremos em cima da hora, os bares estarão cheios e ele tem que se concentrar. Eu acho legal, admiro esse fanatismo, esse amor ao tricolor. Mas acho demais.

Como diz Maitê Proença e eu concordo com ela, nós admiramos os homens que têm esse fanatismo, que jogam bola, que extravasam seus problemas e estresse, que xingam, jogam, se matam e depois saem do jogo felizes, como se nada tivesse acontecido, vão tomar uma cerveja e fica tudo certo. Nós mulheres não temos muito isso, nosso estresse é liberado de outra forma: fazendo compras com as amigas, indo ao salão de beleza, tomando um café gostoso, colocando a fofoca em dia. Os homens não entendem isso, mas nós não precisamos xingar ninguém, bater nos amigos, jogar, brigar, gritar e colocar a amizade em risco para ficarmos bem, desestressadas. A gente se diverte conversando. Somos mais racionais. Não precisamos colocar os hormônios para fora para nos desestressar. Colocamos é o dinheiro mesmo. rsrs

Mas, voltando ao assunto, eu não acharia nada demais se Belchior não fosse tão doente pelo Fluminense. Doente ao ponto de não atender o celular quando o time perde, de ficar triste de verdade (como se alguém tivesse morrido), de dizer para quem quiser ouvir que “O Fluminense acabou para mim. Não vejo mais jogo” e, três dias depois, descaradamente, ver e torcer com todo amor que ele tem no mundo pelo tricolor.

Já o vi subindo na mesa, desafiando os outros, cantando e gritando sozinho as músicas da torcida, fazendo promessas absurdas “Eu vou sair pelado pela rua se o Fluminense não for campeão da Copa do Brasil esse ano”. E, claro, já o vi descumprir todas as suas promessas descabidas!

Todos os dias, antes de ir para o trabalho, ele pega o jornal, lê a parte do Fluminense, entra no computador, entra no G1 e vê a página tricolor. Se ele entra 100 vezes por dia na internet, 98 vezes ele entra na página do Fluminense. Chegou ao ponto de entrar num site de um adversário do Fluminense no ano passado na Sulamericana e ficar ‘brigando’ com os torcedores do outro time online! Ele criou uma discussão em tempo real com os caras que ele nunca viu na vida. Tudo isso pelo amor ao tricolor.

Bem, isso tudo para ilustrar e dizer que na última sexta-feira, cheguei em casa e me deparei com Belchior me rondando, querendo me contar alguma coisa. “Oi, amor, tudo bem? Como foi o trabalho”? Oi, querido, tô bem, cansada. “Ah tá. Aqui, olha o que eu comprei”!!

Gente, quase caí da cadeira. Se já não bastassem as camisas, bonés, chinelo, chaveiro, porta CD, bandeira e tudo mais do Flu, Belchior me aparece com uma cueca toda verde e grená, estilo box, apertadinha. “O que é isso, Belchior”????

“Ah, amor, tava voltando de Macaé e vi uma vitrine no centro vendendo essas cuecas do Fluminense. Gritei para o vendedor, que tava do outro lado da rua: Amigo, quanto é a cueca”? “É R$ 9,90” “Separa uma aí que eu tô voltando. Parei o carro e fui lá comprar. Era um sex shop fuleiro ali do centro rsrsrsrsrs”!!!

Ele saiu andando e eu continuei no computador. Belchior, amor, mas peraí, você foi lá só para comprar isso? E volta ele de cuequinha do Fluminense, mais apertada do que aquelas cuecas de gogo boy do Dito e Feito!!! “Só que tá apertada. Não cabe em mim!! Aparece minha bunda. Olha só”

Jesus acende a luz!!! Belchior vira a busanfa para mim. Mal conseguia se mexer com a cueca tricolor e ainda por cima aparecia o cofrinho. Se ele sentar então, meu Deus! Aparece a bunda toda.

Conclusão, Belchior parou o carro, comprou a cueca tricolor num sex shop fuleiro e a cueca não dava nele! Tudo pelo fanatismo! Se ele queria me conquistar com isso, ainda mais sabendo que eu sou flamenguista, parafraseando seu próprio bordão: 'Deumelivre'!!!!
OBS: QUEM DERA SE FOSSE ESSA CUECA ILUSTRATIVA!