quinta-feira, 24 de março de 2011

Espelhando a alma em prosa


Depois que escrevi essa ‘crônica’ sobre a dura lição de tentarmos aprender a conviver com a gente mesmo, comecei a refletir sobre a alma, o nosso íntimo e resolvi renomear momentaneamente esse blog aqui de ALMA EM PROSA. Casada com cerveja também é alma e muita prosa! Agora que vocês me deram a chance e o palco, também vou postar um pouco das minhas ‘viagens emocionais’ e misturar um pouquinho de crônica, poesia e rock’n roll.

Quando, no último fim de semana, dei asas à minha criatividade, ao meu lado poético e arteiro, de brincar de escrever com batom no espelho da sala, percebi que isso tinha a ver com a minha infância. Puxando lá das profundezas, lembrei que quando pequena (em idade, ta, gente, vocês sabem que em tamanho pouca coisa mudou rs) tinha um quadro negro e, simplesmente, amava passar horas a fio escrevendo, rabiscando, desenhando no meu mundinho particular. O primeiro palpite da família era de que eu seria professora, claro. Mas mal podiam imaginar que minha sina mesmo era ser jornalista e que meu sonho mesmo, de verdade, é ser escritora, mais precisamente cronista!

Esse quadro ficava na casa dos meus avós, no meu canto favorito do quintal, onde eu podia ficar ali quietinha, sozinha, escrevendo minhas ideias de criança, rabiscando minhas primeiras frases de poeta, mas sem notar que estava sendo observada pelas pessoas mais queridas. Ao fim do domingo, deixava mensagens de carinho e amor para meus avós, que passavam o resto da semana curtindo a saudade através da minha escrita, aguardando o próximo recado da semana vindoura...

Sonhos à parte, resgatando ainda mais o passado, lembrei que minha mãe me admirava muito e sempre percebi um quê de satisfação pessoal, como se ela estivesse se realizando junto comigo. Claro que isso é normal em pais que amam de verdade seus filhos e acreditam neles, mas eu percebia um algo mais especial. Ela também adorava escrever, amava poesias, poemas, era romântica, intensa e ‘poliana’, assim como eu!

Isso tudo para refletir um pouco em como, querendo ou não, consciente ou não, somos o espelho de nossa criação, das atitudes e desejos de nossos pais. Já pararam para pensar em quantas vezes repetimos atos, gestos, opiniões, reações e tantas coisitas mais, de forma, simplesmente, idêntica a deles?

Fico chocada quando me pego nessas situações, que acabam fugindo ao controle e nível de consciência! Por infinitas vezes, me peguei repetindo frases ipsis litteris, em contexto parecido, o que minha mãe falava, principalmente em situações difíceis. Chego a ficar arrepiada quando bate a consciência e penso: “Meu Pai do Céu, como estou repetindo isso. Parece até que não era eu quem estava falando”.

O pior é que, na maioria das vezes, apesar de amarmos nossos pais, o que menos queremos é repetir suas atitudes, seus erros, suas manias, contestações... Sem querer e até mesmo lutando contra isso, infelizmente somos o reflexo e o somatório de nossa própria criação, de nossos exemplos. E quanto mais velhos ficamos, mais essas evidências pipocam nos nossos atos mais corriqueiros...

Conheço pessoas (e são muitas) que, a todo momento, vivem um dilema emocional por isso. Não querem ser desse jeito, agir dessa forma, criticam os pais com muita veemência, mas inevitavelmente carregam e transbordam o estigma pelo qual estão lutando. Eu mesma sou assim. Amo a minha mãe de uma forma incrível, choro a sua ausência todos os dias, sinto uma dor que parte meu coração em dois, mas nem por isso, concordei com suas atitudes, sua franqueza exacerbada, sua metade ‘cavala’, seu humor oscilante. Mas não é que fico assim tantas vezes?? E o pior é que sempre fui o oposto, mas acho que chega uma hora em que não conseguimos mais segurar isso e a gente repete e age igualzinho...

Como diz a sábia música do nosso Belchior de verdade, cantada com maestria pela nossa querida Elis Regina, “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”. Não que isso seja ruim, de modo algum. É apenas um jeito bom de se aceitar e se deixar viver...

quarta-feira, 23 de março de 2011

Sei lá, mil pensamentos e poesias


Peço desculpas a vocês, seguidores, pois sei que gostam mesmo são das histórias e bagunças de Belchior. Mas eu tô afim mesmo é de falar de algumas outras coisas por aqui. Vou quebrar o protocolo e me sinto à vontade para isso neste momento, de compartilhar com vocês umas ideias, sensações e outras doideiras mais por aí.

Ás vezes, a gente precisa dar uma acalmada na vida, nos ânimos e tentar se descobrir melhor. Esse papinho é meio balela, mas também é meio verdade. No fundo, eu acho que a gente não se conhece muito bem mesmo. Poucas são as pessoas que convivo hoje que se permitem a sua bela companhia. Pode parecer prolixo, mas não é. Estamos sempre à procura do que fazer, com quem fazer, de sair de casa. Programa bom é aquele que várias pessoas estão juntas, em algum lugar qualquer desse mundo. Ficar em casa, sozinho, se curtindo, passar aquele sábado ouvindo música e olhando para o teto é bom, mas tem hora para acabar. Bom mesmo é receber aquela ligação e curtir uma bebidinha e um bom papo lá na esquina.

Escrevo isso por experiência própria. Apesar da aparência tranquila, sou mega agitada, não paro um segundo dentro de casa, raramente relaxo quando estou deitada (a não ser que esteja morta de sono). Quando coloco uma música, tenho que levantar, pular, pulo a música porque tem outra melhor na outra faixa, pego a letra na internet! Acho que a gente consegue tolerar bastante a convivência com os outros. Mas e com a gente mesmo?

Posso até ser meio louca de questionar essas coisas, mas por muitas vezes me pego na minha própria cia e isso me desagrada. Claro que, como uma boa libriana, logo me pergunto: será que sou tão insuportável assim para os outros também? Por que será que é tão difícil ficar sozinha comigo mesmo?

Li outro dia um artigo da Martha Medeiros excelente sobre este assunto. Ela declarava o quão difícil é convivência com ela mesma. O que a gente faz quando estamos de saco cheio de nós? Sabe-se lá, né. Vamos para o barzinho mais próximo que a gente resolve isso rápido!

Bem, fiz uma experiência no último fim de semana. Isso, sozinha, pensativa, curtindo. Não é possível que eu conviva com tantas pessoas e elas não gostem da minha cia. Sinal de que sou legal e eu mesma tenho que descobrir isso em mim. A questão é: sou legal comigo assim como sou com os outros?

Infelizmente a minha resposta é não. Tenho tanta paciência com os de fora, mas não tenho comigo. Sou mega exigente, tenho que resolver todos os problemas e rápido, sofro porque não estou no peso ideal, porque não consigo estar bem disposta sempre, sinto sono cedo, porque tô cansada, carente. Quero melhorar os meus defeitos, ser perfeita, me adequar à vida dos outros, à profissão, ser uma bela mulher, bela esposa, bela profissional, bela amiga, bela companheira, bela dona de casa....

Será mesmo que essa exigência nos deixa bela, nos deixar viver? Percebi que, quanto mais exigia isso tudo de mim mesma, mais a convivência comigo ficava insuportável.
Para completar, isso acaba afetando também os relacionamentos em volta. Você fica tão de saco cheio de você, que isso se reflete no marido, namorado, nas amigas, no trabalho.

Porra e quando você tá mal, poucas pessoas tem tempo para te ouvir. A gente tenta jogar um verde aqui, outro ali. Abrimos o jogo com algumas pessoas. “Sei lá, não tô muito bem”. Mas a resposta é mais ou menos a mesma: “Liga não. Isso passa. É fase”... Depois de algumas péssimas experiências, cheguei a conclusão mais lógica, simples e difícil. Na verdade, devemos dar ouvidos à nossa própria voz...

Conheço pessoas que fazem isso muito bem. Diria até mesmo que de forma exemplar. Comecei a me arriscar em alguns testes que, para minha surpresa, foram muito positivos! Porém, ainda não cheguei ao ideal de convivência.

Enfim, passei uma tarde inteira comigo, ouvindo música, cantando, conversando sozinha. E senti uma sede de poesia. Naquele dia constatei que precisava de mais poesia em minha própria vida. Comecei a escrever versos no meu espelho da sala. Versos meus, de Drummond, letras de música. Acho que a vida fica mais gostosa quando temos uma dose de poesia por dia. Vou comprar um quadro e escrever nele diariamente. Decisão tomada.

Descobri que preciso, gosto e quero isso desesperadamente para mim. Fiquei super feliz ao rabiscar de batom vermelho meus dois espelhos e enchê-los de palavras. Foi como se tivesse comido um bolo inteiro de morango com chantilly! Endorfina pura na veia! Descobri, ou melhor dizendo, constatei também que sou louquinha, que gosto dessas maluquices e quero ser artista. Artista da minha própria vida.

Bem companheiros deste blog, desculpem a escrita sem piadas. Mas a poesia também faz bem para a alma!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Belchior e as estátuas fumantes


Bem, Belchior continua sua saga de irreverências e, claro, precisamos atualizar isso aqui logo!! Sei que estou atrasada, mas a vida anda corrida e para dar conta de tudo, infelizmente ando sacrificando as minhas ideias cibernéticas e a criatividade literária precisou ficar um pouco de lado. Balá blá blá de lado, vamos aos fatos!

Sexta-feira, dia 18 de fevereiro, dia do show mais esperado para mim. Estava louca, sedenta de vontade de ir ao show da cantora Maria Gadu. Belchior me presenteou com os ingressos e tudo seria lindo, até mesmo porque o show era no Morro da Urca! Quer cenário mais lindo e delicioso??

Voltei para casa após o trabalho, pois precisava me arrumar descentemente, tirar um cochilo e me preparar para o show! Quando cheguei, a casa em silêncio. Ainda sem ligar a luz, fui quietinha até a varanda e, eis que encontro Belchior com a garatoda do prédio bebendo em volta da piscina. Ele me viu chegar e tratou de vir me fazer um afago. Bem, deixei que ele ficasse bem à vontade lá no play e fiz as minhas coisas com calma, feliz e contente! A biritada durou até quase às dez horas, quando saímos correndo de casa.

O problema é que ele chegou num brilho só, radiante, gritando, pulando. Simplesmente parecia que íamos a um show de samba, numa quadra da escola de samba. Os tamborins imaginários deles não paravam de pular, gritar, zuar. Infelizmente tive que avisá-lo que íamos a um show romântico, lindo, para curtir bem a dois. Arrepiei-me de pensar que Belchior não estava pensando desta forma....

Chegamos ao Pão de Açúcar e a farra começou já no bondinho. Ele estava frenético, gritando e cantando. Todos olhavam surpresos, claro. “Se essa porra não virar, olé, olé, olá”, misturado com os comentários do tipo “Nossenhora, tenho medo de altura. Companheiro, essa porra é segura mesmo? Ai meu Deus tenho um medanado”...

Bem, senti que minha noite seria cheia de emoções. Todos no maior love, clima romântico e vem um engraçadinho e fica gritando no bondinho??? Sabe aquela vergonha alheia? Aiaiaiai, eu queria me enfiar debaixo de algum lugar, que não tinha ali, lá lá lá lá, quem é esse aí? Não conheço não! Brincadeira, amor, mas foi phoda com ph te aturar naquela noite sem noção!

Mas, não adiantava eu reclamar porque a resposta nunca era: tá bom, amor, vou entrar no clima. Era sempre : “Larga eu beber mais, quero curtir, uhuhuhuhu, vamos dançar”...
O show começou e Belchior continuava a mil e, claro, acabou dizendo que o show era chato, igual ao DVD que temos. Mas o que ele estava esperando? O Bailão do Ruivão? Rock’n roll? Pagode, samba e axé?

Apesar de louco e sem noção (saiu do show umas 10 vezes no mínimo para comprar bebida, ir ao banheiro e etc), fez amizade com um velhinho que estava trêbado e sozinho, confirmando tudo que o cara dizia – “Você é o rapaz que me levou da última vez que estive aqui no Rio para Barra, não é? Claro que sou eu! – o grand finale ficou por conta de duas estátuas!!

Belchior, antes de irmos embora, ficou encantando a estátua de dois caboclos (que guardei o nome durante dois dias, mas já esqueci). As estátuas de bronze estavam perto de uma réplica do bondinho para os turistas tirarem fotos e a outra bem próxima.

Pois bem. Belchior conversou com as estátuas, colocou os velhinhos para fumarem (isso mesmo, pasmem vocês)! Como toda habilidade do mundo e com aquele know how de quem pita um cigarro com muito prazer, ele sacou um cigarrete do seu maço, acendeu pacientemente (lá venta bastante e essa tarefa não é tão fácil) e colocou na boca da estátua. De um modo perfeito. As pessoas em volta riam de se acabar e ficaram acompanhando o processo com a cara de quem diz que na está acreditando no que está vendo. Assim também ficamos eu, meu irmão e sua namorada. Boquiabertos, acompanhando de longe.

Mas o pior não foi só isso! O pior é que, depois de tudo, a estátua fumante virou atração do local. Teve até um grupo de meninas que se divertiram muito com isso!!! Elas, inclusive, tiraram foto com a estátua fumante, pediram licença ao senhor de bronze e deram vários tragos no cigarro, que há instantes havia caído no chão e Belchior, com todo seu compromisso com seus amigos, foi lá recolocar o cigarrinho...

Ele fez isso com a outra estátua também e duas mulheres que estavam sentadas ao lado ficaram impressionadas. Não sabiam se riam, se aplaudiam, se diziam que ele era louco e bêbado. O fato é que a loucura de Belchior rendeu várias risadas e diversão no fim da noite, depois do show, quando todos já estavam exaustos.

E, com isso, ele voltou para casa feliz e contente, com a sensação de ‘dever cumprido da minha maluquice de todo fim de semana’ e com o plus de ainda ter divertido não só as pessoas que conheço, mas vários personagens da noite!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Belchior e a cueca do lobo! Aff!!

Legenda: A cuequinha era quase essa!!

Essa pérola que vou contar aqui já faz um tempinho. Foi no começo deste ano, numa terra para lá de conhecida: a terrinha de todos os santos. Depois do Natal, seguimos para lá, onde ficamos por seis dias descansando e curtindo com os familiares de Belchior.

No fim das pequenas férias, fomos levar seu irmão C. e sua cunhada C. para casa, numa terrinha lá por perto. Resolvemos passear um pouco, apesar da chuva que desabava. Nas redondezas existem muitas lojas de lingerie, roupa de cama e banho. Eu e C. fomos dar uma voltinha, acompanhadas de Belchior.



Mulher não perde uma oportunidade de comprar calcinhas e roupas íntimas. Até porque, não sei que raios existem nessas peças que se acabam de uma forma inacreditável. Mulher está sempre precisando de calcinhas, sutiãs e coisas do gênero! Sempre mesmo. Como chegamos um pouco tarde, as lojas começavam a fechar e saímos em disparada, numa corrida contra o tempo para ver se eu conseguia descolar algo. Achei umas camisolas. Entrei em outra loja e comprei umas calcinhas. Eis que, na espera tediosa de Belchior, ele pega uma peça para lá de ridícula. Um cuecão de lobo horroroso. Nessas lojinhas, há um quê de sex shop enrustido, com algumas peças bem chocantes, sem muita elegância, mas que devem ser sucesso.

Apesar dele ter se animado a comprar, desconversei: ai, que coisa horrível, deixe isso aí. Mas não dei muita trela não. Achei que ele nem ninguém seria capaz de comprar aquilo! Ahaha, doce engano! Bem, saí correndo desta loja com a C. e nos enfiamos entre uma porta aberta e outra fechada na última loja que conseguimos. Belchior não nos acompanhou, ficou do lado de fora. Depois de uma hora cravada no relógio, nossa missão foi cumprida com êxito nas minhas compras.

Voltamos para a terrinha e, no dia seguinte, retornamos para nossa casinha. Chegamos cansados da viagem, pois passamos o dia praticamente viajando. Fizemos um percurso diferente, passando por Itaocara, onde visitamos meu tio. Depois, passamos em Macuco, na loja da prima dele. Por último, paramos em Friburgo e, parecendo prever o desastre que estava por vir, passeamos pela cidade, admirando suas belezas e comentando inúmeros episódios que nós dois, há tempos, vivemos por lá.

Dia cansativo e noite de gargalhadas. Como se estivesse prevendo que tudo estava calmo demais, saí do banho, esgotada, com a toalha enrolada na cabeça, olhar baixo. Mal saí do banheiro e.... tchan tchan tchan!!! Eis que me deparo com Belchior, vestido de lobo, com aquela cueca horrorosa que vimos no dia anterior. Parecia cena de filme pornô barato. Um homem vestido com uma cueca de lobo, com duas orelhas e um buraco que os homens enfiam o bilau! Isso mesmo, pessoal!!! Que cena triste, que situação. E ele ainda queria me seduzir assim!!!

Mal tive tempo de me segurar e dobrar os joelhos, com as pernas trêmulas e sem forças de tanto rir. Fui me arrastando até a cama, onde pude me jogar e gargalhar sem dó. Belchior ainda tentava, coitado, imitar o som do lobo, fazia aquele gesto com a mão, que no caso era a patinha, pedindo carinho!!! E ainda emitia sons de lobo!! Surreal!! Quanto mais eu ria, mais ele imitava o lobo.

Eu não sabia se olhava para cara dele ou se olhava para a cueca com cara de lobo e todo o contexto de uma possível daquele pornô inacreditável!

Se rolou algo, clarooooooooooo que nãooooooooooooooooooo!!!!! No chance, no way!
O clima da noite foi a la comédia trágica romântica, com direito a produção de Belchior e tudo.
O fim, não poderia ser menos digno do que os dois cansados de rir, largados na cama e sem conseguir encarar a cara um do outro! Alguém, por favor, diz para Belchior que não consigo parar de rir com essas coisas, ainda mais com ele fantasiado de algo? Nem se tivesse vestido de Deus Grego daria certo! Suas performances são comédias puras no palito!

OBS: A cueca foi passada adiante para seu amigo D., que casou há pouco tempo e Belchior quis fazer uma surpresa! Imaginem!!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Belchior e Casadona em: as carteiras sumiram!!!


Agora, meus amigos, o mico é nosso! Acho que estou aprendendo a ficar sem noção, louca de pedra, fora da casinha, com Belchior! Afinal de contas, salvem os ditos populares, “diga-me com quem andas, que te direi quem és”!

Well, well, sexta-feira cansada, velha de guerra. Belchior foi me buscar no trabalho, pegamos um engarrafamento tremendo. Tínhamos aniversário do T.C., primo dele, e passamos em casa, depois de mais de duas horas no trânsito, já quase hasteando a bandeira branca de vencidos pelo cansaço. Mas, como somos guerreiros, não desistimos! Belchior se arrumou e eu fui do jeito que estava. Resolvi, apenas, trocar de bolsa, um modelito menorzinho, pois já estava de saco cheio de carregar aquele bolsão que carrego durante toda semana.

Passei uma maquiagenzinha de leve e lá fomos nós! Ao estacionar o carro, Belchior me deu a seguinte notícia: “ihhh, amor, esqueci a carteira em casa”. Dei aquele sorriso maroto, pisquei o olho e disse, toda crente: deixe que eu pago hoje, querido. A noite é minha. Ahh, coitada!!

Fomos os últimos a chegar no bar. Mesão lotado, o irmão de Belchior, meu cunhado S., já estava dançando com a garçonete, pegando sua mão e girando a pobre coitada, que sem graça, ria daquele bando de loucos, mais para lá do que para cá. Eu, ainda sem sentar, pensei: “Gente, o problema é de família mesmo”!

Ok, rimos, comemos, bebemos, reencontramos o pessoal da terrinha, papo vai, papo vem. Amor, tô com sono, amanhã tenho pilates cedo. “Ok, amor, só mais uma cervejinha”. Tá bom. Meia hora depois, Belchior diz “vamos nessa”, pede a conta. Ela chega e ele me repassa, claro. Afinal, eu pagaria. A noite era por minha conta.

Abri a bolsa toda crente e pqp, cadê a carteira?????????????????? Imaginem a situação: Belchior e eu, os dois sem carteira, com uma conta de R$100 para pagar. Acho que também estou perdendo a linha!!! Coloquei tudo que vocês podem imaginar dentro da bolsa: chave, batom, blush, óculos, bloco, caneta (afinal, nunca sabemos o que pode acontecer), até biscoito para minha dieta, mas a porcaria da carteira, a coisa mais fundamental numa bolsa, não estava!

Bem, depois da mesa toda cair na gargalhada e a gente ficar imaginando como sairíamos de lá, se lavaríamos pratos, se a gente negociava de pagar no dia seguinte ou se deixaríamos um rombo para o aniversariante pagar (coitado!!), o outro primo de Belchior, sempre ele, nos salvou mais uma vez! E lá se vão quase dois anos casados e já me pergunto se os sintomas belchiorianos estão ficando tão evidentes em mim! Será que também vou ficar louca assim, a versão feminina de Belchior, a metade maluca da laranja? Afff, espero que não, né!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Belchior no estilo Zé Bonitinho+Falcão


Quando digo que Belchior é meio louco, as pessoas acreditam. E fácil. E rápido. Ele dá provas constantes para mim e para todos que o cercam e também para você que não o conhece pessoalmente ainda. Vou contar mais um episódio de suas loucuras que irá comprovar o que já é mais do que comprovado!

Sábado de sol, dezembro começando a toda. Planejamentos uma renovaçãozinha na nossa casa: pintura, espelho, substituir as lâmpadas da sala por LED. Enfim, fazer umas mudanças, a tão desejada renovação para 2011! Nosso pintor chegou cedinho, pegou rápido no batente. Enquanto ele fazia as coisas, combinei com Belchior de irmos adiantar os presentes de Natal. Quem sabe já encontrávamos algumas coisas? Afinal, deixar tudo para cima da hora (como sempre fazemos) é pior. Joguei, assim, no ar, essa ideia e ele topou na hora, fato que me causou estranheza. Um homem topar ir fazer compras assim, às duas da tarde, com esse sol, de primeira? Ok, mas como ele é imprevisível, fui tomar o meu banhozinho e me arrumar. Antes que ele desistisse.

Já prontinha da silva, esperei pacientemente meu marido sair do banho e começar a se arrumar. Até aí, nada demais. Eis que Belchior, do nada, tira a toalha e diz: “Casadona, estou cansado dos estigmas e dessa palhaçada de ter que ir arrumado para os lugares. Quero quebrar os paradigmas. Vou do jeito que eu quero para a rua”! Ahã??? Não entendi nada do que ele falou, mas em dois segundos entendi tudo pelo que ele estava vestindo!!

Simplesmente, Belchior colocou um shortinho de microfibra florido, uma camisa listrado do Brasil, um par de meia social até a canela, all star sujo. Foi ao banheiro, passou gel no cabelo (que ele quase não tem mais), colocou a meia dúzia de fios do resquício do que um dia foi uma franja para frente e me intimou: “Vamos? Quero ver se você me ama mesmo e sai comigo assim na rua”!! Grande Belchior! Fiquei uns cinco minutos boquiaberta, meio sem saber como agir e fui incisiva. Querido, você está ridículo, mas fica muito pior para você do que para mim, que vou te acompanhar. Logo você, que é todo preocupado com a aparência! “Você está com vergonha de mim. Sabia”. Ahh, minha gente! Peguei a bolsa, ajeitei o cabelo, passei o perfume e disse. Vamos, estou pronta. “Ué, você vai comigo assim”? Vou. Anda logo.

Belchior travou. Ficou rindo, parado, estático. Depois de uns segundos, chegou a abrir a porta do quarto. O pintor estava de costas, na escada, pintando o corredor. Imediatamente ele caiu na gargalhada, fechou a porta novamente, saiu tirando toda a vestimenta surreal e disse que não tinha coragem nem de encarar o pintor!! È mole ou quer mais? Vai entender o que se passa nessa mentezinha louca do meu marido!!


OBS: Olhem o look verídico na foto! Fiz ele posar para esse registro memorável!!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Segurem suas bundas - Belchior chegou!!


Que Belchior é brincalhão, gaiato e, quiçá, sem noção todos já sabem. Posso ficar horas a fio aqui escrevendo todas as suas loucuras e atitudes que nenhum de nós acreditaria ser verdade, se muitos de nós já não as tivesse vivenciado. Aqui no blog eu já escrevi, contei, brinquei e desabafei com suas gaiatices vis, duramente criticadas se fossem obra de outro autor que não nosso querido Belchior. Mas, quando as coisas rolam com ele, uma enorme doçura, incredulidade e risada acabam saindo de nós, com aquele leve coro de que “Tinha que ser Belchior”.

Eu e vocês já estamos mais do que acostumados a isso e, segundo até mesmo autores conhecidos, a gente se acostuma a tudo nesta vida. E mais: a gente até se diverte. E muito. Mas ando preocupada porque, ultimamente, acho que as coisas estão fugindo do padrão e controle. Ou Belchior está ficando realmente ‘tantan’ das ideias ou sei lá! Precisamos ver com especialistas o que é isso, companheiros!

Bem, vou contar o caso para vocês resumidamente e depois, por favor, me ajudem a esclarecê-lo! Sexta-feira, nosso último dia útil das férias. Resolvemos ir ao restaurante da nossa amiga N., uma delícia de lugar e comida! Convidamos alguns amigos da terrinha: A.X., S, B., N., T. e F., irmão de Belchior, que apareceu quase no final.

A noite foi agradabilíssima. Envoltos por amigos, conversa boa, risadas melhores ainda e muitos ‘causos’, tudo parecia perfeito. Belchior tomando seu vinhozinho (aliás, duas garrafas – a segunda ele matou em casa), nossos amigos experimentando petiscos divinos, chopps e etc. Tudo lindo.

Por fim, depois de fecharmos o restaurante – como sempre fazemos, diga-se de passagem, e nem sempre com muita alegria de minha parte – solicitamos ao garçom, um senhorzinho que veio de outras terras, muito tímido e prestativo, a nossa conta. Antes que ela chegasse, Belchior foi ao banheiro. Já estava louco.

Enquanto o nosso garçom recolhia as coisas da mesa, um outro se aproximou para ajudá-lo. Até ai, mais do que normal. O problema foi que Belchior foi chegando de mansinho. Eu estava conversando com a N., minha amiga, mas o vi se aproximando com o olhar e o sorriso de canto de boca como quem se entrega: ‘vou fazer merda’. Foi só eu pensar que Belchior, astutamente, simplesmente, chegou sorrateiro e APERTOU A BUNDA DOS DOIS GARÇONS!

Os dois caras pularam incrédulos. E nós, que estávamos na mesa, também. Porém, o nosso garçom, o senhorzinho, ficou fulo da vida. Mas foi fulo mesmo!! De verdade, do fundo da alma dele. O clima pesou e a situação foi extremamente difícil, pois o garçom não quis conversa e não aceitou as desculpas de Belchior, sem graça pela a reação do cara. Agora, o que leva um ser, meu Deus, a apertar a bunda de dois garçons, que nunca viu na vida, que estavam, coitados, terminando seu trabalho, depois de uma longa noite de atendimentos?? Ou Belchior está ficando realmente louco ou não sei não!

Depois, a culpa se abateu sobre ele e foi, sem sucesso, pedir mais de cinco vezes desculpas ao garçom, que NÃO ACEITOU. Não aceitou mesmo. Morri de vergonha e pena do senhor. E, se pudesse, queria dar um pedala em Belchior!! Onde já se viu isso?? Mas, como as brincadeiras de Belchior são sem maldade e a gente acaba morrendo de rir, deixei que ele mesmo, um cara emotivo e sensível, no dia seguinte, pensasse no que fez. Coitado, acordou mal e sem graça. Ué, não apertou as bundas dos caras??

Por fim, a pergunta que não quer calar é a seguinte: Belchior é sem noção porque é maluquinho ou é maluquinho porque é sem noção??